♥ La Fleur ♥

Divagações de uma flor...

sexta-feira, janeiro 30, 2004

Hoje o "Astro Rei" resolveu dar o ar da sua graça...
E a minha vida continua sem graça...
E eu continuo esperando o segundo sol chegar...

QUASE

Ainda pior que a convicção do não,
é a incerteza do talvez,
é a desilusão de um quase!
É o quase que me incomoda,
que me entristece,
que me mata trazendo tudo
que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga,
quem quase passou ainda estuda,
quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades
que escaparam pelos dedos,
nas chances que se perdem por medo,
nas idéias que nunca sairão do papel
por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes,
o que nos leva a escolher uma vida morna.
A resposta eu sei de cor,
está estampada na distância
e na frieza dos sorrisos,
na frouxidão dos abraços,
na indiferença dos "bom dia",
quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem
até para ser feliz.
A paixão queima,
o amor enlouquece,
o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos
para decidir entre a alegria e a dor.
Mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo,
o mar não teria ondas,
os dias seriam nublados
e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina,
não inspira,
não aflige nem acalma,
apenas amplia o vazio
que cada um traz dentro de si.
Preferir a derrota prévia
à dúvida da vitória
é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Para os erros há perdão,
para os fracassos, chance,
para os amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio
ou economizar alma.
Um romance cujo fim
é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque,
que a rotina acomode,
que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando...
Fazendo que planejando...
Vivendo que esperando...
Porque,
embora quem quase morre esteja vivo,
quem quase vive já morreu.

(Luiz Fernando Veríssimo)

quinta-feira, janeiro 29, 2004

Hoje assisti ao filme "21 Gramas" e, ao contrário do que pensava, continuo sem saber por que perdemos 21 gramas no momento em que morremos. Continuo sem saber o quanto pesa a nossa vida... e voltei pra casa com todas as dúvidas existenciais que estavam adormecidas em algum lugar dento de mim.
... E a única certeza é que todo dia a mais é menos um, mas eu prefiro não saber.


Todo Dia É Menos Um Dia...

Todo dia é menos um dia; menos um dia para ser feliz;

É menos um dia para dar e receber;

É menos um dia para amar e ser amado;

É menos um dia para ouvir e, principalmente, calar !

Sim, porque calando nem sempre quer dizer que concordamos com o que ouvimos ou lemos,
mas estamos dando a outrem a chance de pensar, refletir, saber o que falou ou escreveu.

Saber ouvir é um raro dom, reconheçamos.

Mas saber calar, mais raro ainda.

E como humanos estamos sujeitos a errar, e nosso erro mais primário, é não saber ouvir e calar !

Todo dia é menos um dia para dar um sorriso.

Muitas vezes alguém precisa, apenas de um sorriso para sentir um pouco de felicidade !

Todo dia é menos um dia para dizer: - Desculpe, eu errei !

Ou para dizer: - Perdoe-me por favor, fui injusto !

Todo dia é menos um dia; para voltarmos sobre os nossos passos.

De repente descobrimos que estamos muito longe,
e já não há mais como encontrar onde pisamos enquanto íamos.

Já não conseguiremos distinguir nossos passos de tantos outros que vieram depois dos nossos.

E se esse dia chega, por mais que voltemos;
estaremos seguindo um caminho, que jamais nos trará ao ponto de partida.

Por isso use cada dia com sabedoria.

Ouça e cale se não se sentir bem;

Leia e deixe de lado, outra hora você vai conseguir interpretar melhor e saber o que quis ser dito.

Autor Carlos Drummond de Andrade




quarta-feira, janeiro 28, 2004

"Curiosidades"
Recebi esse texto por email...
:P

CANA TAMBÉM É CULTURA

Antigamente, no Brasil, para se ter melado os escravos colocavam o
caldo da cana-de-açúcar em um tacho e levavam ao fogo. Não podiam
parar de mexer até que uma consistência cremosa surgisse.

Um dia, cansados de tanto mexer e com serviços ainda por terminar, os
escravos simplesmente pararam e o melado desandou! O que fazer agora?
A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do
feitor.

No dia seguinte, encontraram o melado azedo (fermentado).
Não pensaram duas vezes e misturaram o tal melado azedo com o novo e
levaram os dois ao fogo. Resultado: o "azedo" do melado antigo era
álcool que aos poucos foi evaporando e se formaram no teto do engenho
umas goteiras que pingavam constantemente, era a cachaça já formada
que pingava (por isso o nome PINGA), e quando batiam nas suas costas
marcadas com as chibatadas ardia muito, por isso o nome "AGUARDENTE".
Caindo em seus rostos e escorrendo até a boca os escravos viram que
a tal goteira dava um barato, e passaram a repetir o processo
constantemente.

terça-feira, janeiro 27, 2004

Lá fora a chuva cai... e a vida passa...
E eu adoro o barulho da chuva caindo.
Um barulhinho bom!
E esse é o meu poema favorito do Ferreira Gullar.


Traduzir-se

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte-
será arte?

Ferreira Gullar

segunda-feira, janeiro 26, 2004

"Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é
nada."

Fernando Pessoa
Uma dose de poesia e beleza...
nesse dia frio, nesse mundo frio...

Tudo tem seu lugar

Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar, o lugar deles é lá.
Admire a lua, sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra.
Curta o sol, se deixe acariciar por ele, mas lembre-se que o seu calor é para todos.
Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu.
Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda parte, ele tem
pressa de chegar sabe-se lá onde.
Não apare a chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos, não pode molhar só o seu.
Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas não enlouqueça por elas.
Procure, sempre procure o fim de uma história, seja ela qual for.
Acelere seus pensamentos, mas não permita que eles te consumam.
Abasteça seu coração de fé, não a perca nunca.
Mergulhe de cabeça nos seus desejos e satisfaça-os.
Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa procura.
Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar
necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas. Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se achá-lo, segure-o!

Fernando Pessoa

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"Et je serai pour vous, un enfant laboureur,
Qui fait vivre sa terre, pour vous offrir ses fleurs."


Barbara
Extrait de la chanson Les insomnies

domingo, janeiro 25, 2004

Acontecimento banal

Hoje aconteceu uma coisa engraçada comigo!
Sabe quando você está conversando com uma pessoa que você já conhece, mas acha estranho quando ela fala demais, o que não é comum tratando-se da tal pessoa? Pois é, eu fiz algum comentário sem importância e a tal pessoa entrou no assunto e começou a falar, falar, sem parar. O pior é que falava, falava e não dizia nada e eu balançava a cabeça concordando com tudo só pra não esticar o papo. Enquanto a pessoa falava eu me perguntava o que estava acontecendo. Por que será que ela tava tão falante, tão desinibida, tão atípica?
A resposta veio logo em seguida, quando eu senti um hálito etílico se misturando com o som das palavras que saiam daquela boca.
De repente comecei a rir e quis continuar a conversa...
Enfim, parafraseando o Rapha, Devemos seguir o mandamento maior da ÉTICA ETÍLICA: Podemos até contar os fatos, mas nunca revelaremos seus personagens!
:p

sábado, janeiro 24, 2004

"La Fleur"

Olá, possíveis leitores!
Vocês estão presenciando o nascimento de uma flor.
Que flor é essa? Nem eu sei dizer. Talvez seja "A Flor" do los Hermanos, ou uma d'As Flores do Mal do Baudelaire, ou a flor-de-lis que também simboliza pureza de corpo e alma, ou ainda uma das flores do "Bouquet" de Jacques Prévert. Ah, são muitas as possibilidades...