♥ La Fleur ♥

Divagações de uma flor...

domingo, fevereiro 29, 2004

Vão-se os aneis e ficam os dedos

... essa foi a frase que eu mais ouvi nesses últimos dias.
É engraçado ver como algumas pessoas que não lhe conhecem fazem questão de mostrar solidariedade lhe confortando com uma palavra amiga.
Em revanche, não é nada engraçado ver como algumas pessoas que lhe conhecem acham pouco, queriam que toda a sua casa tivesse incendiado ao invés de um quarto. Acho que o nome disso é inveja.
... Não sei p'ros outros, mas pra mim um quarto é um mundo. O meu quarto era o meu mundo, era onde eu me reconhecia, em cada detalhe havia um pouco de mim. Agora, sem ele, às vezes eu me sinto um peixe fora d'água dentro da minha própria casa, a mesma e única casa, a casa onde eu sempre morei.

sexta-feira, fevereiro 20, 2004

Lembrete pra quem vai pular carnaval:
"Crianças no banco dianteiro podem causar acidentes. Acidentes no banco traseiro podem causar crianças."
Carnaval, carnaval, carnaval...
Eu fico triste quando chega o Carnaval!

quarta-feira, fevereiro 18, 2004

Eu só queria que você soubesse
dos meus CDs e dos meus livros.
Que você soubesse que eu detesto
chocolate branco, assim eu não precisaria
fingir dizendo que adorei só pra
não te desapontar.
Queria também que você soubesse
que eu não me importo com
o que os outros falam e que
não se importasse também.
...
Pois é, eu só queria que
você aprendesse que é inútil
se preocupar e que a vida
é bela apesar de tudo.

terça-feira, fevereiro 17, 2004

"A ave sai do ovo; o ovo é o mundo; quem quiser nascer precisa destruir o mundo." (Herman Hesse)

...E foi assim, com essas palavras, que terminou a peça que eu fui ver no último sábado, "Ritos do Absurdos" de Herê Aquino. É um espetáculo que coloca o público diante do drama da existência. Um mergulho contundente na sociedade e no homem.
Eu recomendo!

sexta-feira, fevereiro 13, 2004

"Sexta-feira 13"

Hoje as pessoas vão morrer.
Hoje as pessoas vão matar.
O espírito fatal e a psicose da morte estão no ar.
O mundo poderia acabar já, agora, neste momento,
Porque só eu estou sabendo
e eu já fiz tudo o que tinha pra fazer hoje.
Depois de um tempo ausente, por motivo irrelevante, estou de volta.
E pra recomeçar com chave de ouro - sim porque sempre há amor pra recomeçar - nada melhor do que um poema de alguém que sempre foi gauche na vida.

Viver não dói.
(Carlos Drummond de Andrade.)

Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas
vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Por que
sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas
agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por
todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e
não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e
não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de
ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade. Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga
pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao
cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos
não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar. Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

quarta-feira, fevereiro 04, 2004

O Amor e a Loucura

A Loucura resolveu convidar os amigos para tomar um café em sua casa.
Todos os convidados foram. Após o café, a Loucura propôs:
- Vamos brincar de esconde-esconde?
- Esconde-esconde? O que é isso? - perguntou a Curiosidade.
- Esconde-esconde é uma brincadeira. Eu conto até cem e vocês se escondem.
Ao terminar de contar, eu vou procurar, e o primeiro a ser encontrado será o próximo a contar.
Todos aceitaram, menos o Medo e a Preguiça.
-1,2,3,... - a Loucura começou a contar.
A Pressa escondeu-se primeiro, num lugar qualquer.
A Timidez, tímida como sempre, escondeu-se na copa de uma árvore.
A Alegria correu para o meio do jardim.
Já a Tristeza começou a chorar, pois não encontrava um local apropriado para
se esconder.
A Inveja acompanhou o Triunfo e se escondeu perto dele debaixo de uma pedra.

A Loucura continuava a contar e os seus amigos iam se escondendo.
O Desespero ficou desesperado ao ver que a Loucura já estava no noventa e nove.
- CEM! - gritou a Loucura. - Vou começar a procurar...
A primeira a aparecer foi a Curiosidade, já que não agüentava mais querendo saber quem seria o próximo a contar. Ao olhar para o lado, a Loucura viu a Dúvida em cima de uma cerca sem saber em qual dos lados ficar para melhor se esconder.
E assim foram aparecendo a Alegria, a Tristeza, a Timidez...
Quando estavam todos reunidos, a Curiosidade perguntou: - Onde está o Amor?
Ninguém o tinha visto. A Loucura começou a procurá-lo.
Procurou em cima da montanha, nos rios, debaixo das
pedras e nada do Amor aparecer. Procurando por todos os lados, a Loucura viu uma roseira, pegou um pauzinho
e começou a procurar entre os galhos, quando de repente ouviu um grito. Era o Amor, gritando por ter furado o olho com um espinho.
A Loucura não sabia o que fazer. Pediu desculpas, implorou pelo perdão
do Amor e até prometeu segui-lo para sempre.
O Amor aceitou as desculpas.
Hoje, o Amor é cego e a Loucura o acompanha sempre.


domingo, fevereiro 01, 2004

" Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz."